domingo, 11 de novembro de 2012

O concreto do abstrato

Interessante como algo pode ser concreto e abstrato ao mesmo tempo: uma presença, uma amizade, um momento, enfim.
O que diferencia um estado do outro? A percepção? A vivência? O olhar do protagonista ou do espectador?
Não sei ... talvez tudo isso junto e mais um pouco. Talvez o desejo que se tem, ou a expectativa que se criou, ou ainda a fuga de si mesmo ... provavelmente tudo e nada.
Muitas vezes o concreto é rude, material, cru, violento, intolerante, outras vezes é fluido, abstrato, pouco perceptível. Assim o é também o abstrato.
Ah, o abstrato! Qual a sua definição?! Seria este criado pelo nosso desejo?  
O desejo da presença concreta do afeto se materializa por meio dos nossos sentidos, com o cheiro, o calor, o sorriso e o abraço indefiníveis, mas também pode se materializar no abstrato da virtualidade, concretizada no post carinhoso, na preocupação atenta, na mensagem de carinho, no compartilhar o momento mesmo a distância presente no tempo real das nossas tecnologias.
Concreto e abstrato, sejam como for, para mim são como dias de chuva: incertos, indefiníveis, até incômodos as vezes.