sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Distância ...

Distância ...

Mais um dia e um acontecimento no qual a distância me martiriza ...
Há muitos anos saí de perto fisicamente das pessoas que amo, do meu lugar, da minha cultura, do jeito da minha gente, já se vão longos 11 anos.
Que saudade da vida simples, dos rostos conhecidos, das músicas, do jeito de falaR da minha gente paulista, do cheiro da terra molhada ...
Conhecer outros lugares e outras culturas, assim como outros jeitos de viver são sempre enriquecedores, alargam nossa visão de mundo, ao mesmo tempo que nos transforma.
Conhecemos pessoas diferentes, adquirimos amizades preciosas e entendemos um pouco mais da vida e do viver, das várias formas de viver, de gostar, de colorir, de cozinhar, de se respeitar, de valorizar coisas e pessoas.
Mas, há sempre a saudade! São as crianças, que costumávamos ver correr pela casa, em suas alegrias distraídas, nas horas sem compromisso ou medida, de repente transformadas em adolescentes e adultos, com seus dilemas e dores, num salto tão rápido que nossas chegadas e partidas mal observam. São nossos pais e irmãos, que o tempo também envolvera com rapidez, que quando olhamos atentamente nos dá um medo terrível de não encontrarmos mais.
São tantos acontecimentos que não participamos, tantas comidas que não partilhamos, tantas conversas que não travamos, tantas datas que não comemoramos juntos, não pela falta de desejo de estar mais perto, nem do afeto sempre presente, mas pelas circunstâncias da vida, pelas necessidades do trabalho e da qualificação, que nos levam em outros ventos.
Estamos sempre na balança com o que queremos e com o que precisamos, ou achamos que precisamos, já não sei nesse momento. Sei apenas que meu avô Martin se foi, com uma grande parte das minhas lembranças doces da infância, sem que eu ao menos me despedisse; que meus sobrinhos cresceram, sem que eu os conhecesse de fato, possuindo apenas conhecimento das suas alegrias e medos infantis; que meus irmãos envelhecessem, sem partilhar e compartilhar cotidianamente dos seus dias, do companheirismo e da cumplicidade que só há entre os irmãos; que minha avózinha Ana aos poucos se torne mais frágil, nos seus longos cem anos de lucidez e cuidado com todos, ainda que me sejam tão frescas as lembranças dos laços de fita coloridos, que ela colocava em meus cabelos depois do banho; que minha mãe perdeu um pouco da sua vitalidade e juventude, eu diria até um pouco de sua alegria, substituída pela maturidade e resignação que só o tempo traz. Do meu lado também não pude partilhar muitas coisas com eles, meus filhos maiores cresceram e já são quase adolescentes e meu pequeno já avança em sua infância, entre tantas outras coisas pessoais e profissionais, que gostaria de ter partilhado com eles.
O coração fica num lugar e a vida em outro ... e, hoje em especial, isso é tão verdadeiro e triste ...
A necessidade é de ficar, mas o desejo é de partir, rever, abraçar e nesse conflito todo o coração fica pequeno, torturado ... penso no mar e entrego a ele minhas angústias ... dias torrenciais de chuva no meu coração.

Drogas de sentimentos


Drogas de sentimentos

Mais uma vida que se perde...
Rápido ou lento? Depende do tamanho das dores ou, até, ironicamente, dos sonhos que se tem.
Sonhos de ser amado, de ser o melhor, de ser visto e reconhecido ... as vezes apenas como um filho, um fruto de desejo e de amor ... ou apenas de ser.
Amor que não se efetivou, que não achou lugar nem guarita em meio a tantos ressentimentos, solidão, sensação de abandono ... abandono de si ou uma grande falta que ficou no lugar de tudo que era fértil e bom.
Vinte e dois anos mal completados ... mais um menino que deixa seu mundo para trás com as portas de uma penitenciária à sua frente. Mas este para mim é especial: vi nascer, peguei no colo, vi crescer, tímido e doce, calado e triste algumas vezes, as vezes um sorriso solto, leve, outras vezes com medo do "rampiro"...
O que encontrará nesse novo lugar?! Provavelmente drogas piores e de todos os tipos, piores do que as que o trouxe a esse momento: falta de amor, de esperança, ódio abundante de tudo e talvez de todos, ressentimentos, crueldade, maldades, tudo nas suas mais cruas formas e sabores.
Um mundo cru, sem mediação, sem cor, sem colo e, talvez, para alguns, sem volta.
Quem fica do lado de fora das grades de ferro não se sente menos aprisionado nesta hora: o coração fica pequeno e partido de tristeza e os dias com muito menos cores, afinal é mais do que mais um menino preso nas suas ilusões e agora privado da sua liberdade mundana, é uma parte de nós, do nosso afeto.
Aquele menino calado e tímido, com seus medos infantis, agora experimentará medos reais ao mergulhar sua vida num lugar onde os sonhos não cabem, num mundo escuro como seu coração cheio de ressentimentos, mágoas e tristezas.
Fechamos os olhos e tudo parece como antes, o menino ainda está lá, alegre, na sua infância doce e distraída ... a vida provavelmente seguirá adiante, mas nunca mais como antes, nem para ele e nem para nós que o amamos desde sempre ... 
Agora segue escura, fria e incerta, como nos dias de chuva no inverno ... um inverno que custará a passar nesse ano ...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Amor, 

As vezes o amor parece um menino travesso, alegre, que quando chega inunda nosso mundo de cor, de sonhos, risos bobos e fora de hora.
As vezes se vai de repente, ou talvez apenas se esconda num cantinho muito especial, para reaparecer repentinamente como um sopro de alegria, num novo olhar, num momento qualquer, sem que o tempo em que ficou fora de nossa vida faça a menor diferença.
E a gente, o que faz?!
Ah! Ele é envolvente e sabe como chegar. Quando menos percebemos nossos sonhos já estão tomados e as noites de lua cheia possuem um encanto ainda mais especial!
Logo nos pegamos a pensar: será que esse menino travesso dessa vez ficará para sempre e preencherá nossos dias com todo esse colorido?
Não sabemos e não há como saber, mas isso nesse momento já não é mais importante, ouvimos nosso coração concordando com o poeta: "que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure", em seu Soneto do amor total.
Por hora fechamos os olhos e nos entregamos à magia, à alegria inebriante, ao sono escasso e desnessário e nos deixamos viver tudo até o fim ... o fim?! 
O fim de mais uma aparição desse travesso, que tanto esperamos e para o qual o tempo, mesmo que esse tempo tenha sido longos dezessete anos, ou mais, não significa nada, já não importa, o sorriso é ainda mais belo e seus olhos de mar ainda nos fariam não querer dormir mais... dias deliciosos de chuva!

domingo, 11 de novembro de 2012

O concreto do abstrato

Interessante como algo pode ser concreto e abstrato ao mesmo tempo: uma presença, uma amizade, um momento, enfim.
O que diferencia um estado do outro? A percepção? A vivência? O olhar do protagonista ou do espectador?
Não sei ... talvez tudo isso junto e mais um pouco. Talvez o desejo que se tem, ou a expectativa que se criou, ou ainda a fuga de si mesmo ... provavelmente tudo e nada.
Muitas vezes o concreto é rude, material, cru, violento, intolerante, outras vezes é fluido, abstrato, pouco perceptível. Assim o é também o abstrato.
Ah, o abstrato! Qual a sua definição?! Seria este criado pelo nosso desejo?  
O desejo da presença concreta do afeto se materializa por meio dos nossos sentidos, com o cheiro, o calor, o sorriso e o abraço indefiníveis, mas também pode se materializar no abstrato da virtualidade, concretizada no post carinhoso, na preocupação atenta, na mensagem de carinho, no compartilhar o momento mesmo a distância presente no tempo real das nossas tecnologias.
Concreto e abstrato, sejam como for, para mim são como dias de chuva: incertos, indefiníveis, até incômodos as vezes.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Fotos das maravilhas de Alagoas ... pena ser um privilégio de poucos escolhidos poder contemplar...



Entrevista dada ao site www.reporteralagoas.com.br, publicada em 17/05/2011

17/05/2011
Uma proposta de direitos humanos e educação para Alagoas
Foto: Cristiane Pepe

Ana Cláudia Laurindo- é cientista social
Cristiane Pepe- é doutora em Educação

A paulista Cristiane Pepe é professora da Universidade Federal de Alagoas, está conosco há sete anos, é membro da REDHBRASIL de Direitos Humanos e coordenadora do Programa Escola Ativa, de Educação do Campo, que é uma parceria entre UFAL/SEE/SECAD/MEC e participa do Grupo de Pesquisa ERER (Educação e Relações Étnico-Raciais) da UFAL. Para além da simpatia que esbanja, oferece contribuição singular ao pensamento sócio-educacional, principalmente quando o foco é a humanização do indivíduo. Em diálogo aberto, obtivemos as seguintes respostas:

Percebemos que a sociedade em geral, se confunde quanto ao sentido da garantia dos Direitos Humanos, esse senso comum interfere na prática educativa?

Sim, interfere muito. As pessoas estão gradativamente perdendo a capacidade de dialogar, se embrutecendo. Outro dia eu dizia isso em uma das turmas de 1º. período de um curso de licenciatura na Universidade, pois todo tema polêmico que surgia na sala de aula se transformava logo em um espaço de disputa, onde os alunos não respeitavam o ponto de vista do outro, querendo sempre impor sua visão, ao ponto de termos que encerrar o debate por falta de diálogo, antes que terminasse em discussão pessoal. O que é isso, senão a falta da capacidade de dialogar?!

A população, de forma geral, conhece pouco sobre Direitos Humanos e Sociais, o que se ouve comumente é que “direitos humanos só existem para bandidos”, quando na verdade eles existem para todos, mas nos são negados no dia a dia. É preciso que reivindiquemos esses direitos cotidianamente, que conheçamos o próprio Plano Nacional de Direitos Humanos, lançado pelo Governo Federal e que incorporemos esses conhecimentos na prática educativa.

Trabalhar com Direitos Humanos em sala de aula é mais do que um conteúdo, tem que ser uma prática educativa cotidiana. Se pretendemos que a educação de fato seja um processo humanizador, como acreditava Paulo Freire. Pois vivemos na sociedade moderna a banalização e naturalização do mal em todos os sentidos.

Como professora-doutora do Centro de Educação da UFAL, qual sua percepção acerca das contribuições que a universidade pode dar aos graduandos e pós-graduandos de Pedagogia, para que se apropriem do conceito original de Direitos Humanos?

O Centro de Educação, em parceria com a EDHESP, iniciou recentemente um Curso de Especialização em Direitos Humanos, sob a coordenação da Professora Mara Rejane Ribeiro, de Serviço Social, do qual faço parte. Isso significa um avanço da Universidade, no sentido de contribuir não só para aprofundar o conhecimento de 465 pessoas que estão cursando a Especialização, mas de prepará-las para serem agentes de Direitos Humanos no nosso Estado que, segundo dados novos do IBGE divulgados nas últimas semanas, é o Estado mais pobre da Federação, com a maior concentração de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza (denominação dada pelo Governo Federal às pessoas que vivem com até R$ 70,00 por mês), para as quais nem mesmo o direito humano fundamental, que é o direito à vida, é assegurado de fato.

É preciso reconhecer, no entanto, que essa ainda é uma iniciativa muito tímida num Estado como o de Alagoas. Necessitamos de muito mais investimentos e contribuições por parte da Universidade, que deve se fazer mais presente na sociedade alagoana, uma vez que ela é o lócus privilegiado para isso, provocando o debate acerca dos Direitos Humanos, fazendo com que os diferentes atores e instituições sociais se posicionem, pensem políticas e formas de intervir na realidade, pois vivemos algo muito próximo a uma guerra civil em Alagoas, com um número assustador de homicídios, principalmente entre os jovens, acumulando a liderança dos piores índices sociais da Federação (IDH, prostituição infantil, mortalidade infantil, mortalidade de mulheres, entre outros).

Conhecer a proposta de defesa e garantia dos Direitos Humanos pode diferenciar a prática educativa, beneficiando os alunos?
Não só beneficiando os alunos como os próprios professores, que também desconhecem todo o debate e toda a produção existente sobre Direitos Humanos e, que, infelizmente ainda não faz parte do currículo de formação de professores. Quando existe algum debate sobre Direitos Humanos nos cursos isso se deve a iniciativas isoladas de um professor ou outro, quando na verdade deveria ser uma prática de todo e qualquer educador, uma vez que compõe a gênese da docência a emancipação humana. Minha orientadora costumava dizer que na Educação nós trabalhamos com o melhor que o ser humano tem que é seu potencial criativo, humano, belo, ao contrário de outras profissões que lidam com as fragilidades e desvios do comportamento humano, já tão pouco humano atualmente.

Quais são os benefícios imediatos ou não, de uma prática docente humanista, para a sociedade?

Os benefícios poderiam ser sentidos tanto de imediato, quanto em longo prazo, pois trata-se de um processo de formar gerações sobre um outro paradigma, no qual, como diz Caetano Veloso em uma de suas músicas “morrer de fome, de raiva ou de sede...” não sejam simplesmente “gestos naturais”, mas que esse processo de injustiça social que vivemos seja de fato refutada e não banalizada e tornada natural.

Dejours, um estudioso francês, diz que a injustiça social só existe quando algo nos indigna, quando nos sentimos violentados, chocado com os processos vivenciados cotidianamente e, que processos naturais são aqueles que não nos perturbam, que não ficamos indignados diante de um fato/acontecimento, algo que deve acontecer, porque é a lei da natureza. Como educadores temos a obrigação de nos indignar diante de processos de injustiça social, diante da miséria que assola famílias inteiras, jogando-as na indigência, diante das desigualdades que já nascem conosco de berço, diante de desvios de milhões de reais da merenda escolar para serem utilizados em futilidades, quando nossas crianças estão passando fome, diante, principalmente, da negação do nosso direito fundamental: VIVER e com dignidade!






Repórter Alagoas® 2011.
contato@reporteralagoas.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pensamento do dia, enviado pela minha amiga querida Ana Claudia


O que não te destrói,  te fortalece! (Nietzche) 




Ana Claudia é uma dessas pessoas raras que conhecemos ao longo da vida. É forte e delicada ao mesmo tempo, é uma mulher de coragem, com muita garra, uma mãe dedicada às suas crias, uma profissional invejável, que apesar das adversidades e sofrimentos, se mantém em pé, irredutível em suas convicções cunhadas nas Ciências Sociais e na vida em um Estado duro e bruto no modo de tratar as pessoas, com belezas naturais sem iguais, mas de relações quebradas e embrutecidas.
Viver em Alagoas é assim, um desafio, uma teimosia, uma irreverência até.