Distância ...
Mais um dia e um acontecimento no qual a distância me martiriza ...
Há muitos anos saí de perto fisicamente das pessoas que amo, do meu lugar, da minha cultura, do jeito da minha gente, já se vão longos 11 anos.
Que saudade da vida simples, dos rostos conhecidos, das músicas, do jeito de falaR da minha gente paulista, do cheiro da terra molhada ...
Conhecer outros lugares e outras culturas, assim como outros jeitos de viver são sempre enriquecedores, alargam nossa visão de mundo, ao mesmo tempo que nos transforma.
Conhecemos pessoas diferentes, adquirimos amizades preciosas e entendemos um pouco mais da vida e do viver, das várias formas de viver, de gostar, de colorir, de cozinhar, de se respeitar, de valorizar coisas e pessoas.
Mas, há sempre a saudade! São as crianças, que costumávamos ver correr pela casa, em suas alegrias distraídas, nas horas sem compromisso ou medida, de repente transformadas em adolescentes e adultos, com seus dilemas e dores, num salto tão rápido que nossas chegadas e partidas mal observam. São nossos pais e irmãos, que o tempo também envolvera com rapidez, que quando olhamos atentamente nos dá um medo terrível de não encontrarmos mais.
São tantos acontecimentos que não participamos, tantas comidas que não partilhamos, tantas conversas que não travamos, tantas datas que não comemoramos juntos, não pela falta de desejo de estar mais perto, nem do afeto sempre presente, mas pelas circunstâncias da vida, pelas necessidades do trabalho e da qualificação, que nos levam em outros ventos.
Estamos sempre na balança com o que queremos e com o que precisamos, ou achamos que precisamos, já não sei nesse momento. Sei apenas que meu avô Martin se foi, com uma grande parte das minhas lembranças doces da infância, sem que eu ao menos me despedisse; que meus sobrinhos cresceram, sem que eu os conhecesse de fato, possuindo apenas conhecimento das suas alegrias e medos infantis; que meus irmãos envelhecessem, sem partilhar e compartilhar cotidianamente dos seus dias, do companheirismo e da cumplicidade que só há entre os irmãos; que minha avózinha Ana aos poucos se torne mais frágil, nos seus longos cem anos de lucidez e cuidado com todos, ainda que me sejam tão frescas as lembranças dos laços de fita coloridos, que ela colocava em meus cabelos depois do banho; que minha mãe perdeu um pouco da sua vitalidade e juventude, eu diria até um pouco de sua alegria, substituída pela maturidade e resignação que só o tempo traz. Do meu lado também não pude partilhar muitas coisas com eles, meus filhos maiores cresceram e já são quase adolescentes e meu pequeno já avança em sua infância, entre tantas outras coisas pessoais e profissionais, que gostaria de ter partilhado com eles.
O coração fica num lugar e a vida em outro ... e, hoje em especial, isso é tão verdadeiro e triste ...
A necessidade é de ficar, mas o desejo é de partir, rever, abraçar e nesse conflito todo o coração fica pequeno, torturado ... penso no mar e entrego a ele minhas angústias ... dias torrenciais de chuva no meu coração.

Cris! Eu sinto essa saudade TODOS OS DIAS. Ao menos você tem por perto os filhos, o maridão, que certamente lhe envolvem a ponto de quase-esquecer as ausências dos demais.
ResponderExcluirFica assim não!!! Você é muito querida e já somou amigos!! Conta comigo, viu? Beijo!